Wednesday, May 02, 2007

Reconquista

Lendo um texto do Arnaldo Jabor que recebi por email*, andei refletindo sobre o sentimento.
Coisa esquisita esse tal de amor.
Se bem que na verdade a gente que torna o amor esquisito.
A mulher ama e diz que ama o tempo todo. Enche o amor de enfeites e babados.
O homem só ama.
Diz que demonstra. Mas a mulher (como eu!) sempre espera mais.
Então a cabeça se enche de dúvidas sobre o amor. Dúvidas freqüentes.
“Ele me ama?!”
“Ele tem outra?!”
“Ele deixou de me amar?!”
No início, quando tudo é amor, o homem se dobre e redobra pra conquistar. A mulher acha isso lindo.
Mas quando a presa está dominada, a conquista cessa.
Isso me faz lembrar um filme que assisti num dia desses: “Como se fosse a primeira vez”, com Adam Sandler e Drew Barrymore, no qual um “don juan” se apaixona perdidamente por uma garota que tem problemas de memória e se esquece dele no dia seguinte, fazendo com que ele tenha que reconquistá-la diariamente!
Seria lindo se fosse assim, não?!
Mas colocaria em questão até quando é necessário conquistar e reconquistar uma mulher. Um dia, simplesmente, ela não pode chegar a ter certeza que seu parceiro a ama?!
Não! Com certeza nesse dia, ela vai achar que ele deixou de lhe amar.
A reconquista não requer os esforços da conquista. Ela se dá nos detalhes.
Eu, como mulher, detalhista e tudo mais, penso assim.

*link pro texto do Jabor.

Thursday, April 26, 2007

Alcoólatra

O pai bebia todos os dias. A mãe também.
Mas ele bebia todos os dias e o dia inteiro. E ela só à noite. Pra relaxar.
A menina então, passou a chorar todo dia também. Em cada copo de cerveja e em cada dois dedos de cachaça, tinha uma ou duas lágrimas da menina.
A menina não tinha mais brilho nos olhos pra nada. Não ia a escola. Não brincava. Só chorava.
A menina viu na tevê que beber todo dia fazia mal. Por isso a menina chorava.
Ela não queria que a mãe e o pai ficassem mal.
Mas a menina bebia também.
E ela se sentiu mal por chorar tanto.
Primeiro porque ela bebia. E segundo porque chorar de nada adiantaria.
A menina viu na tevê que chorar não fazia o pai e a mãe parar de beber.
Então a menina tentou não chorar e não beber mais.
Mas a menina gostava de beber. Não todo dia. Mas ela gostava.
Então a menina percebeu que o pai e a mãe também gostavam.
Nesse dia ela amou o pai e a mãe com muita força.
Amou para pedir desculpas pelas lágrimas. Por mais que as lágrimas ainda rolassem quando ela lembrava que beber fazia mal.
A menina bebia pouco. A mãe bebia médio. E o pai bebia muito.
A menina não era alcoólatra.
A menina viu na tevê que quem bebe pouco todo dia, é mais alcoólatra do que quem bebe muito só que de vez em quando.
A menina perguntou o que era alcoólatra.
E quando descobriu, a menina chorou.

Tuesday, April 24, 2007

Mulher

Mulher é uma palavra cheia de conotação.
A mãe, a guerreira, a vadia, a esposa, a boazuda, a vizinha chata, a professora mal comida, a namorada de um amigo meu...
São tantas as mulheres que permeiam o imaginário masculino (e o feminino também! Só depende do contexto.) que às vezes perde-se o norte.

Homem não vive sem mulher. Isso é fato.
Mas a te que ponto a mulher vive sem o homem?!
Isso vai além das idéias de reprodução independente e tampouco, é uma apologia à idéia de sexo frágil. Longe de mim, fazer desse texto um discurso sobre a famosa “guerra de sexos” (por mais que tenhamos vivido em guerra nos últimos dias).

As mulheres não vivem sem seus homens. Sejam elas, a vizinha, a prima, a boazuda. Salvo, é claro, as exceções: algumas freiras, as lésbicas e a minha mãe.
Mas todas as mulheres – mulher mesmo, que tem todas as responsabilidades, todas as dores, toda a sensibilidade – não vivem sem um homem.

É necessária toda a dedicação e atenção dispensada, a saliva, a voz gasta nas horas intermináveis de discussão, os calos e queimaduras nos dedos na hora da refeição e da roupa lavada, as dores de cabeça, os afagos e chamegos mais a preocupação na dor, o filho que chora, o relógio que acelera...

É necessário tudo isso?! As mais independentes gritam. É sim.
Toda mulher não vive sem seu homem... para ser mulher.
Porque mulher é a mãe, a guerreira, a vadia, a esposa, a boazuda, a vizinha chata, a professora mal comida, a namorada de um amigo meu...
Quem nunca lavou uma peça de roupa dele, pegou uma latinha na geladeira ou colocou uma roupinha sexy naquelas horas, que atire a primeira pedra!